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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

«Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5), Evangelho segundo S. Mateus 17,14-20.



Livro de Deuteronómio 6,4-13. 

Moisés falou ao povo, dizendo: «Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. 
As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. 
Hás de recomendá-las a teus filhos e delas falarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas. 
Hás de atá-las ao braço como um sinal, prendê-las na fronte diante dos teus olhos 
e gravá-las nos umbrais da tua casa e nas portas da tua cidade. 
Quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra que a teus pais Abraão, Isaac e Jacob, jurou dar-te, terás grandes e belas cidades que tu não construíste, casas repletas de toda a espécie de bens que tu não acumulaste, cisternas abertas que tu não escavaste, vinhas e olivais que tu não plantaste. Quando tiveres comido até à saciedade, não te esqueças do Senhor, que te fez sair da terra do Egipto, da casa da escravidão. 
Só ao Senhor teu Deus deves temer, só a Ele servir e só pelo seu nome jurar». 



Livro de Salmos 18(17),2-3a.3bc-4.47.51ab. 

Eu Vos amo, Senhor, minha força, 
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador. 

Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança, 

sois meu protetor, minha defesa e meu salvador. 
Invoquei o Senhor — louvado seja Ele — 
e fiquei salvo de meus inimigos. 
Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor; 

exaltado seja Deus, meu Salvador. 
O Senhor dá ao seu Rei grandes vitórias 
e usa de bondade para com o seu Ungido. 





Evangelho segundo S. Mateus 17,14-20. 

Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um homem, que se ajoelhou diante d’Ele e Lhe disse:
«Senhor, tem compaixão do meu filho, porque é epilético e sofre muito; cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água. 
Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo». 
Jesus respondeu: «Oh geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando terei de vos suportar? Trazei-mo aqui». 
Jesus ameaçou o demónio, que saiu do menino e este ficou curado a partir daquele momento. 
Então os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe em particular: «Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo?». 
Jesus respondeu-lhes: «Por causa da vossa pouca fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda, direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível».

«Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5)

A palavra «fé» tem um duplo significado. Há, na verdade, um aspecto da fé que diz respeito aos dogmas e que consiste em concordar com uma dada verdade. Este aspecto da fé é proveitoso para a alma, segundo a palavra do Senhor: «Quem ouve a minha palavra e crê naquele que Me enviou tem a vida eterna» (Jo 5,24). [...]

Mas há um segundo aspecto da fé: é a fé que nos foi dada por Cristo como carisma, gratuitamente, como dom espiritual. «A um é dada, pela acção do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito» (1Cor 12,8-9). Esta fé que nos é dada como graça pelo Espírito Santo não é pois apenas uma fé dogmática, mas tem também o poder de realizar coisas que ultrapassam as forças humanas. Quem possui essa fé dirá «a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar” [...], assim acontecerá». Pois, quando alguém pronunciar esta palavra com fé «e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai realizar» (Mc 11,23), recebe a graça da sua realização. É desta fé que foi dito: se tivésseis fé «como um grão de mostarda». Na verdade, o grão de mostarda é muito pequeno, mas tem em si uma energia fogosa; semente minúscula, desenvolve-se a ponto de estender os seus longos ramos e de até poder abrigar as aves do céu (cf Mt 13,32). Do mesmo modo, a fé realiza numa alma os maiores feitos, num piscar de olhos.

Quando está iluminada pela fé, a alma representa Deus diante de si e contempla-O tanto quanto possível. Abarca os limites do universo e, antes do fim dos tempos, já vê o julgamento e o cumprimento das promessas. Tu, portanto, possui essa fé que depende de Deus e que te leva a Ele; então receberás d'Ele essa fé que age para além das forças humanas.



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Evangelho segundo S. Mateus 16,24-28. «Tome a sua cruz e siga-Me»



Livro de Deuteronómio 4,32-40. 

Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante?
Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver?
Qual foi o deus que formou para si uma nação no meio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos?
Foi a ti que Ele mostrou estes factos, para reconheceres que o Senhor é Deus e não há outro fora d’Ele.
Do céu fez ouvir a sua voz para te ensinar; na terra mostrou-te o seu grande fogo e do meio do fogo ouviste as suas palavras.
E porque Ele amava os teus pais e depois deles escolheu a sua descendência, fez-te sair do Egipto pela sua presença e pelo seu poder,
despojando à tua frente nações maiores e mais fortes do que tu, para te introduzir na sua terra e conceder-ta como herança, como hoje se verifica.
Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro.
Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».



Livro de Salmos 77(76),12-13.14-15.16.21. 

Recordarei os feitos gloriosos do Senhor,
quero recordar os antigos prodígios.

Quero lembrar todas as vossas façanhas
e meditar nas vossas obras.


Meu Deus, santos são os vossos caminhos.
Que divindade tão grande como o Senhor?

Vós sois o Deus que realiza maravilhas,
que manifestou entre as nações o seu poder.


Resgatastes o vosso povo com o vosso braço,
os filhos de Jacob e de José.

Conduzistes o vosso povo como um rebanho,
pela mão de Moisés e Aarão.







Evangelho segundo S. Mateus 16,24-28.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida?
O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.
Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão, antes de verem chegar o Filho do homem na glória do seu reino».

«Tome a sua cruz e siga-Me»

Durante a tua vida, Cristo não te pede que carregues com Ele todo o peso da sua cruz, que é uma cruz pesada, mas apenas uma pequena parte dele, aceitando os teus sofrimentos. Nada tens a temer. Pelo contrário, considera-te muito feliz por teres sido julgado digno de participar nos sofrimentos do Homem-Deus. Não penses que Deus te abandonou ou que está a castigar-te; pelo contrário, Ele está a dar-te uma prova do seu amor, do seu grande amor. Deves agradecer-Lho e resignar-te a beber o cálice do Getsemani.

Por vezes, o Senhor faz-te sentir o peso da cruz. Esse peso parece-te insuportável e, contudo, tu carrega-lo porque o Senhor, que é cheio de amor e de misericórdia, te estende a sua mão e te dá as forças de que precisas para tal. Perante a falta de piedade dos homens, o Senhor tem necessidade de pessoas que sofram com Ele. É por isso que me conduz às vias dolorosas de que me falas na tua carta. Mas que Ele seja bendito para sempre, porque o seu amor leva a doçura para o meio da amargura, e transforma os sofrimentos passageiros desta vida em méritos para a eternidade.